1-Quais são os MAIORES problemas enfrentados pelas cidades nos dias de Hoje ?
2-Quais são os argumentos das pessoas que largam a vida no campo e vão para as cidades ? você concorda com eles ?justifique:
3-O que são atividades informais? dê exemplos :
4-Que consequências algumas atividades informais podem gerar para uma cidade ?
(Responda nos comentários )
Estaremos monitorando as respostas e repassando para Maria do Carmo .
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Ricas ou pobres, as cidades preocupam o mundo!
Estamos numa era de industrialização de desenvolvimento e isso acaba se tornando em problemas que exigem soluções rapidas e urgentes e com o passar dos anos esses problemas estão se tornando mais preocupantes.
Trânsito complicado, poluição visual e auditiva, poluição do ar, do solo e das águas, violência, vida cara e difícil são alguns exemplos desses problemas.
A indústria, principal causa do crecimento das cidades quer fugir das aglomeração que ela mesma ajudou a formar.faltam empregos nas cidades, e no campo que se " indurtrializou ", sendo assim um complemento da atividade indústrial.
Os países pobres lutam contra falta de verbas para realizar melhorias, essas cidades estão crescendo sem infra - estrutura, com áreas clandestinas, muitas destas em locais considerados de risco.
Trânsito complicado, poluição visual e auditiva, poluição do ar, do solo e das águas, violência, vida cara e difícil são alguns exemplos desses problemas.
A indústria, principal causa do crecimento das cidades quer fugir das aglomeração que ela mesma ajudou a formar.faltam empregos nas cidades, e no campo que se " indurtrializou ", sendo assim um complemento da atividade indústrial.
Os países pobres lutam contra falta de verbas para realizar melhorias, essas cidades estão crescendo sem infra - estrutura, com áreas clandestinas, muitas destas em locais considerados de risco.
As cidades nos países subdesenvolvidos!
É nesses países que as cidades têm crescido mais, os muitos problemas como concentração de terra, desemprego e falta de política levaram ao grande crescimento da população urbana.
O processo de urbanização dos países subdesenvolvidos começou o após a Segunda Guerra Mundial, alguns industrializaram -se outros permanecem agrários e com uma taxa alta de população rural.
Apesar de alta taxa de população rural a populaçõa urbana vem crescendo em escala rápida.
Entretanto, as cidades nos países subdesenvolvidos apresentam inúmeros fatores não, problemas como trânsito caótico, péssimo e poucos meios de transportes públicos, mendicância e violência, sem falar nas periferias mal cuidadas que são ocupadas pela camada mais pobre da população.
A principal causa do crescimento das cidades dos países pobres foi o êxodo rural, nessas cidades os setores secundário e terciário não são o suficiente para oferecer emprego a todos.
Como não há emprego para todos, sobrevivem como é possível, desenvolvendo assim atividades informais ( subdesempregos ), como as de vendedores ambulantes, lavadores e quardadores de carro, etc. A falta de morada ouseu elevado preço fazem surgir favelas, cortiços e moradores de rua.
O processo de urbanização dos países subdesenvolvidos começou o após a Segunda Guerra Mundial, alguns industrializaram -se outros permanecem agrários e com uma taxa alta de população rural.
Apesar de alta taxa de população rural a populaçõa urbana vem crescendo em escala rápida.
Entretanto, as cidades nos países subdesenvolvidos apresentam inúmeros fatores não, problemas como trânsito caótico, péssimo e poucos meios de transportes públicos, mendicância e violência, sem falar nas periferias mal cuidadas que são ocupadas pela camada mais pobre da população.
A principal causa do crescimento das cidades dos países pobres foi o êxodo rural, nessas cidades os setores secundário e terciário não são o suficiente para oferecer emprego a todos.
Como não há emprego para todos, sobrevivem como é possível, desenvolvendo assim atividades informais ( subdesempregos ), como as de vendedores ambulantes, lavadores e quardadores de carro, etc. A falta de morada ouseu elevado preço fazem surgir favelas, cortiços e moradores de rua.
O que é uma Cidade ?
De acordo com o geógrafo Francês Pierre George "É quase impossivel definir o que é cidade"
A ONU ,leva emconta o número de habitantes ,segun ela ,cidade é todo aglomerado com mais de 20mill habitantes .Contudo esse número é muito inferior em alguns países como na França e na Espanha .
Aqui no Brasil , as sedes dos municipios são consideradas cidades ,não levando em conta assim o número de habitantes.
Fique por dentro !
Sítio Urbano -> Local onde a cidade foi construida.
Cidade Espontanêa ->Quando o aglomerado surge naturalmente a partir de pequenos núcleos de povoamento. EX: São Paulo ,Rio de Janeiro, Nova Iorque e Paris .
Cidade Planejada -> São cidades construidas seguindo projetos e planejamentos. EX: Brasília,Belo Horizonte,Gôiana, entre outros .
A função urbana
As cidades são conhecidas por serem o centro das "atenções" , onde se concentram várias atividades como comércio,bancos,escolas,mercado financeiro,etc. Porém alguma são conhecidas por uma característica principal a função urbana ;
Existem cidades ;
Religiosas ; EX: Aparecida do Norte em São Paulo .
Industriais ; EX:Volta Redonda no Rio de Janeiro.
Administrativas; EX:Brasília.
Militares; EX:Resende no Rio de Janeiro
Turisticas; EX:Porto Seguro na Bahia
Existem países que são formados apenas por uma cidade e teêm toda população urbana. Exemplo disso são os países do Vaticano,Cingapura e Mônaco,entre outros .
A ONU ,leva emconta o número de habitantes ,segun ela ,cidade é todo aglomerado com mais de 20mill habitantes .Contudo esse número é muito inferior em alguns países como na França e na Espanha .
Aqui no Brasil , as sedes dos municipios são consideradas cidades ,não levando em conta assim o número de habitantes.
Fique por dentro !
Sítio Urbano -> Local onde a cidade foi construida.
Cidade Espontanêa ->Quando o aglomerado surge naturalmente a partir de pequenos núcleos de povoamento. EX: São Paulo ,Rio de Janeiro, Nova Iorque e Paris .
Cidade Planejada -> São cidades construidas seguindo projetos e planejamentos. EX: Brasília,Belo Horizonte,Gôiana, entre outros .
A função urbana
As cidades são conhecidas por serem o centro das "atenções" , onde se concentram várias atividades como comércio,bancos,escolas,mercado financeiro,etc. Porém alguma são conhecidas por uma característica principal a função urbana ;
Existem cidades ;
Religiosas ; EX: Aparecida do Norte em São Paulo .
Industriais ; EX:Volta Redonda no Rio de Janeiro.
Administrativas; EX:Brasília.
Militares; EX:Resende no Rio de Janeiro
Turisticas; EX:Porto Seguro na Bahia
Existem países que são formados apenas por uma cidade e teêm toda população urbana. Exemplo disso são os países do Vaticano,Cingapura e Mônaco,entre outros .
Curiosidades sobre a cidade de São Gonçalo ;
VOCÊ SABIA....
Que São Gonçalo foi um dos maiores produtores agrícolas no período do Império?
Que São Gonçalo e Resende foram as cidades do Estado do Rio de Janeiro que primeiro receberam mudas de café, em 1780, introduzindo, assim a cultivo no estado?
Que entre 1920-1940 o censo acusou um grande parcelamento nas propriedades de São Gonçalo, tendo havido loteamentos do tipo urbano e para sítios e pomares?
Que as indústrias de São Gonçalo exportaram produtos manufaturados , tais como vidro plano para o Egito, Índia, China e África do sul ou tecidos para a Argentina e África do Sul. Isto aconteceu entre as décadas de 30 e 50?
Que São Gonçalo já foi o terceiro município do estado quanto ao valor da produção, seguindo Barra Mansa (inclusive Volta Redonda) e Petrópolis ?
Que na década de 30, no auge da industrialização gonçalense, aqui aportaram capitais estrangeiros e nacionais .Como exemplo podemos citar: Fábrica Coqueiros - Capital gaúcho, Cipel - Capital carioca, Vidrobrás - capital português e nacional, Cia Portland de Cimento - consórcio internacional.?
Que o crescimento urbano e, consequentemente, industrial de São Gonçalo deveu-se a II Grande Guerra Mundial. Pois com a queda das exportações de laranja, o preço da terra caiu. O que propiciou o surgimento de loteamentos urbanos que acompanhavam o surto da industrialização?
Que no Pôrto do Rosa existiu uma olaria com 250 empregados e uma produção de 3.021.000 tijolos e 3.187.000 telhas em 1955?
Que São Gonçalo é o décimo município do estado em extensão geográfica?
Que em 28 de março de 1891 São Gonçalo perdeu a Freguesia de São Sebastião de Itaipú para Niterói, posteriormente volta a ser incorporado ao município mas, em 31 de julho de 1956 é desvinculado definitivamente, passando a pertencer a Niterói?
Que em 18 de abril de 1891 São Gonçalo perde o bairro do Barreto e parte do de Neves para Niterói?
Agora você um pouco mais sobre a cidade onde você vive !
Que São Gonçalo foi um dos maiores produtores agrícolas no período do Império?
Que São Gonçalo e Resende foram as cidades do Estado do Rio de Janeiro que primeiro receberam mudas de café, em 1780, introduzindo, assim a cultivo no estado?
Que entre 1920-1940 o censo acusou um grande parcelamento nas propriedades de São Gonçalo, tendo havido loteamentos do tipo urbano e para sítios e pomares?
Que as indústrias de São Gonçalo exportaram produtos manufaturados , tais como vidro plano para o Egito, Índia, China e África do sul ou tecidos para a Argentina e África do Sul. Isto aconteceu entre as décadas de 30 e 50?
Que São Gonçalo já foi o terceiro município do estado quanto ao valor da produção, seguindo Barra Mansa (inclusive Volta Redonda) e Petrópolis ?
Que na década de 30, no auge da industrialização gonçalense, aqui aportaram capitais estrangeiros e nacionais .Como exemplo podemos citar: Fábrica Coqueiros - Capital gaúcho, Cipel - Capital carioca, Vidrobrás - capital português e nacional, Cia Portland de Cimento - consórcio internacional.?
Que o crescimento urbano e, consequentemente, industrial de São Gonçalo deveu-se a II Grande Guerra Mundial. Pois com a queda das exportações de laranja, o preço da terra caiu. O que propiciou o surgimento de loteamentos urbanos que acompanhavam o surto da industrialização?
Que no Pôrto do Rosa existiu uma olaria com 250 empregados e uma produção de 3.021.000 tijolos e 3.187.000 telhas em 1955?
Que São Gonçalo é o décimo município do estado em extensão geográfica?
Que em 28 de março de 1891 São Gonçalo perdeu a Freguesia de São Sebastião de Itaipú para Niterói, posteriormente volta a ser incorporado ao município mas, em 31 de julho de 1956 é desvinculado definitivamente, passando a pertencer a Niterói?
Que em 18 de abril de 1891 São Gonçalo perde o bairro do Barreto e parte do de Neves para Niterói?
Agora você um pouco mais sobre a cidade onde você vive !
domingo, 26 de outubro de 2008
As cidades invisíveis: a favela como desafio para urbanização mundial
Vejam o artigo abaixo. Trata-se de um relatório sobre a situação da população mundial e o debate sobre o processo de urbanização no Brasil. Interessantíssimo como tratam a questão da desfavelização.
O recente lançamento do Relatório sobre a Situação da População Mundial 2007, do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, 2007), resgatou o debate sobre o processo de urbanização no Brasil e no mundo, agora sob a luz de novas preocupações e desafios globais. Não por acaso, a discussão concentra-se em torno dos países em desenvolvimento, afinal, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), vivemos um momento único na história da humanidade: pela primeira vez teremos mais da metade da população mundial residindo em áreas classificadas como urbanas. Segundo as mesmas estimativas, em 2030, teremos um adicional de cinco bilhões de pessoas vivendo em cidades.
Se, por um lado, receia-se que essa situação agrave os desafios já enfrentados pelos países em desenvolvimento, por outro, como sugere o subtítulo do Relatório da ONU, este seria um momento simbólico para refletir sobre os potenciais positivos que o crescimento urbano pode trazer. Ou seja, não se trata de imaginar um cenário caótico de megacidades inchadas pelo crescimento da população e da pobreza urbana, mas sim de avaliar, de maneira isenta, as condições existentes para propor, sobretudo aos países que passarão pela transição urbana nos próximos anos, os caminhos alternativos que possam conduzir à redução da pobreza e da desigualdade social.
Embora os contextos sociais, históricos e econômicos sejam distintos, a experiência latino-americana pode ser um ponto de apoio importante para os países que hoje procuram meios para enfrentar os dilemas do crescimento urbano, evitando suas conseqüências perversas e de modo que realmente se consolide um momento especial para o desenvolvimento humano.
Um dos aspectos que assumem maior evidência e receio é a pobreza urbana e sua expressão física nas grandes cidades: as favelas. Consideradas a expressão das mazelas do crescimento urbano não planejado e do aumento da pobreza urbana, as favelas aglutinam a população mais exposta a condições e situações de extrema vulnerabilidade social e ambiental, sobretudo quando o debate em torno das mudanças climáticas confirma o que já era esperado: a população pobre será a mais fortemente afetada pelas alterações no clima projetadas para um futuro não muito distante. Portanto, se a transição urbana é um processo de mão única, será nas favelas e nos países em desenvolvimento que os processos tornarse-ão mais complexos.
Em seu livro, Planeta favela, Mike Davis (2006) evidencia sua preocupação em relação à generalização das favelas. De modo geral, o autor se vale de um conjunto expressivo de dados e informações sobre os mais diversos países para provar sua idéia central: a “favelização” do mundo. Tendo como ponto de partida o relatório da UN-Habitat de 2003, que aborda os desafios das favelas no mundo, Davis procura mostrar que, a despeito das diversas formas e expressões que podem ter, as favelas constituem o principal pólo de concentração da pobreza, sobretudo nos países que passam por um processo de urbanização mais acelerado.
O autor destaca, ainda, a existência de uma exploração imobiliária nos moldes mais perversos dentro das favelas, pois, ligeiramente diferente da realidade brasileira, as principais favelas africanas, por exemplo, organizam-se em torno de alguns poucos proprietários que colocam à “disposição” desta parcela empobrecida da população barracos sem nenhuma infra-estrutura.
Para se ter uma idéia da dimensão dessa exploração, na favela de Kibera, em Nairóbi (Quênia), onde se aglomeram mais de 800 mil pessoas, sem água potável, sem esgoto e sem instalações sanitárias, os “locatários” tornam-se escravos das favelas, sobrevivendo com renda mensal de menos de 30 dólares.
Embora as diferenças regionais sejam importantes e, em certa medida, contenham nas denominações locais (favela, slums, pueblos jovenes ou katchi obadi) as raízes dos processos sociais que as configuram, a verdade é que essa parcela da população torna-se mais expressiva diante da transição urbana prevista para os próximos anos.
Dessa forma, é importante que esteja claro sobre o que se está falando ao usar o termo favela. Para isso, é necessário avançar em abordagens metodológicas que permitam analisar as realidades em termos comparativos, caso contrário, dizer que o mundo está se tornando uma grande favela pode ser uma generalização muito pouco significativa.
Segundo o State of the world’s cities 2006/7, publicado pela UN-Habitat (2006), as taxas de crescimento da população em favelas são equivalentes àquelas para a população urbana. Porém, sua concepção de favela é muito pragmática, como quase todas as estimativas globais podem ser, pois considera cinco dimensões1 para classificar uma habitação como favela. Neste sentido, mesmo que exista recomendação para adaptar os critérios segundo particularidades regionais, não é possível incluir dimensões sociais importantes, como acesso a saúde e educação, bem como aspectos culturais e padrão de consumo dessa população.
Embora o caso brasileiro ainda seja preocupante, a África, de maneira geral, encontra-se em situação muito mais grave, diante da total ausência de políticas sociais que busquem minimizar as vulnerabilidades sociais e da exploração imobiliária dentro das favelas. Segundo o relatório da UN-Habitat (2006, p.40), em um quadro comparativo global, o Brasil está em fase de estabilização das taxas de crescimento das favelas, enquanto a maior parte da África Sub-Sahariana encontra-se em situação gravíssima, devido às já elevadas roporçõesde população em favelas, somadas às altas taxas de crescimento.
Humanidade excedente? É a pergunta colocada por Davis (2006) para pensar os processos que se configuram nos limites dessa favelização do mundo. A informalidade do mundo econômico cresce lado a lado com a população favelada e, mesmo que não sejam totalmente coincidentes, se sobrepõem de modo integrado. Enfim, aumenta o número de pessoas invisíveis em cidades invisíveis. Invisíveis aos olhos do Estado e alheios ao mercado formal, tornam-se figurantes em um filme em que os protagonistas não querem ser reconhecidos.
O recente lançamento do Relatório sobre a Situação da População Mundial 2007, do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, 2007), resgatou o debate sobre o processo de urbanização no Brasil e no mundo, agora sob a luz de novas preocupações e desafios globais. Não por acaso, a discussão concentra-se em torno dos países em desenvolvimento, afinal, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), vivemos um momento único na história da humanidade: pela primeira vez teremos mais da metade da população mundial residindo em áreas classificadas como urbanas. Segundo as mesmas estimativas, em 2030, teremos um adicional de cinco bilhões de pessoas vivendo em cidades.
Se, por um lado, receia-se que essa situação agrave os desafios já enfrentados pelos países em desenvolvimento, por outro, como sugere o subtítulo do Relatório da ONU, este seria um momento simbólico para refletir sobre os potenciais positivos que o crescimento urbano pode trazer. Ou seja, não se trata de imaginar um cenário caótico de megacidades inchadas pelo crescimento da população e da pobreza urbana, mas sim de avaliar, de maneira isenta, as condições existentes para propor, sobretudo aos países que passarão pela transição urbana nos próximos anos, os caminhos alternativos que possam conduzir à redução da pobreza e da desigualdade social.
Embora os contextos sociais, históricos e econômicos sejam distintos, a experiência latino-americana pode ser um ponto de apoio importante para os países que hoje procuram meios para enfrentar os dilemas do crescimento urbano, evitando suas conseqüências perversas e de modo que realmente se consolide um momento especial para o desenvolvimento humano.
Um dos aspectos que assumem maior evidência e receio é a pobreza urbana e sua expressão física nas grandes cidades: as favelas. Consideradas a expressão das mazelas do crescimento urbano não planejado e do aumento da pobreza urbana, as favelas aglutinam a população mais exposta a condições e situações de extrema vulnerabilidade social e ambiental, sobretudo quando o debate em torno das mudanças climáticas confirma o que já era esperado: a população pobre será a mais fortemente afetada pelas alterações no clima projetadas para um futuro não muito distante. Portanto, se a transição urbana é um processo de mão única, será nas favelas e nos países em desenvolvimento que os processos tornarse-ão mais complexos.
Em seu livro, Planeta favela, Mike Davis (2006) evidencia sua preocupação em relação à generalização das favelas. De modo geral, o autor se vale de um conjunto expressivo de dados e informações sobre os mais diversos países para provar sua idéia central: a “favelização” do mundo. Tendo como ponto de partida o relatório da UN-Habitat de 2003, que aborda os desafios das favelas no mundo, Davis procura mostrar que, a despeito das diversas formas e expressões que podem ter, as favelas constituem o principal pólo de concentração da pobreza, sobretudo nos países que passam por um processo de urbanização mais acelerado.
O autor destaca, ainda, a existência de uma exploração imobiliária nos moldes mais perversos dentro das favelas, pois, ligeiramente diferente da realidade brasileira, as principais favelas africanas, por exemplo, organizam-se em torno de alguns poucos proprietários que colocam à “disposição” desta parcela empobrecida da população barracos sem nenhuma infra-estrutura.
Para se ter uma idéia da dimensão dessa exploração, na favela de Kibera, em Nairóbi (Quênia), onde se aglomeram mais de 800 mil pessoas, sem água potável, sem esgoto e sem instalações sanitárias, os “locatários” tornam-se escravos das favelas, sobrevivendo com renda mensal de menos de 30 dólares.
Embora as diferenças regionais sejam importantes e, em certa medida, contenham nas denominações locais (favela, slums, pueblos jovenes ou katchi obadi) as raízes dos processos sociais que as configuram, a verdade é que essa parcela da população torna-se mais expressiva diante da transição urbana prevista para os próximos anos.
Dessa forma, é importante que esteja claro sobre o que se está falando ao usar o termo favela. Para isso, é necessário avançar em abordagens metodológicas que permitam analisar as realidades em termos comparativos, caso contrário, dizer que o mundo está se tornando uma grande favela pode ser uma generalização muito pouco significativa.
Segundo o State of the world’s cities 2006/7, publicado pela UN-Habitat (2006), as taxas de crescimento da população em favelas são equivalentes àquelas para a população urbana. Porém, sua concepção de favela é muito pragmática, como quase todas as estimativas globais podem ser, pois considera cinco dimensões1 para classificar uma habitação como favela. Neste sentido, mesmo que exista recomendação para adaptar os critérios segundo particularidades regionais, não é possível incluir dimensões sociais importantes, como acesso a saúde e educação, bem como aspectos culturais e padrão de consumo dessa população.
Embora o caso brasileiro ainda seja preocupante, a África, de maneira geral, encontra-se em situação muito mais grave, diante da total ausência de políticas sociais que busquem minimizar as vulnerabilidades sociais e da exploração imobiliária dentro das favelas. Segundo o relatório da UN-Habitat (2006, p.40), em um quadro comparativo global, o Brasil está em fase de estabilização das taxas de crescimento das favelas, enquanto a maior parte da África Sub-Sahariana encontra-se em situação gravíssima, devido às já elevadas roporçõesde população em favelas, somadas às altas taxas de crescimento.
Humanidade excedente? É a pergunta colocada por Davis (2006) para pensar os processos que se configuram nos limites dessa favelização do mundo. A informalidade do mundo econômico cresce lado a lado com a população favelada e, mesmo que não sejam totalmente coincidentes, se sobrepõem de modo integrado. Enfim, aumenta o número de pessoas invisíveis em cidades invisíveis. Invisíveis aos olhos do Estado e alheios ao mercado formal, tornam-se figurantes em um filme em que os protagonistas não querem ser reconhecidos.
Desenvolvimento e aglomeração populacional

Economias locais resultam de relações sinérgicas entre atividades urbanas e rurais]
[Em países ricos a maioria vive em local relativamente ou essencialmente rural]
A tragédia de 11 de setembro não comprometerá a posição de Nova York como
capital econômica dos EUA. A prova é que nenhuma das grandes cidades do Japão
arrasadas pelos bombardeios americanos do final da 2a. Guerra Mundial deixou de
recuperar seu lugar anterior na hierarquia urbana do país. Um fenômeno
extremamente robusto, que foi explicado com o habitual didatismo por Paul
Krugman, em artigo publicado anteontem neste espaço. As economias das grandes
cidades são sustentadas por um processo de auto-reabastecimento que parece “uma
espécie de círculo virtuoso”: as pessoas e as empresas nelas se fixam por causa das
oportunidades criadas pela presença de outras pessoas e empresas (“Nova York
ferida”, Estado 4/10).
Bem mais difícil é entender o outro lado da moeda. Se esse círculo virtuoso dá tanta
força à economia da grande cidade, como explicar que as economias mais
desenvolvidas do planeta não sejam inteiramente organizadas por esse tipo de
aglomeração urbana ? Por que certas regiões que não possuem grandes cidades
chegam a se mostrar até mais dinâmicas ? Por que razão um número tão
significativo de pessoas e empresas dos países do Primeiro Mundo estão em regiões
classificadas pela OCDE como relativamente ou essencialmente rurais, como
mostra a tabela ? Por que não foram tragadas pelo fortíssimo processo de autoreabastecimento
das grandes cidades?
Qualquer tentativa de responder a estas perguntas rapidamente sugerirá que o
argumento de Krugman é simples sofisma. Pois a permanência de muitas pessoas e
empresas fora das grandes cidades também se deve a oportunidades criadas pela
presença de outras pessoas e empresas. A diferença está na natureza dessas
oportunidades e em suas respectivas vantagens comparativas. A cidade, seja qual
for a sua dimensão, oferece equipamentos e serviços que facilitam muito, tanto a
vida cotidiana das pessoas, quanto o funcionamento das empresas. Do transporte às
telecomunicações, passando por serviços públicos essenciais como saneamento,
energia, educação, ou coleta de lixo, é óbvia a superioridade da infra-estrutura
urbana sobre a rural. Além disso, as amenidades urbanas, que se manifestam
principalmente na oferta concentrada de bens culturais e esportivos, também atraem
mais gente que as amenidades rurais, mais ligadas à oferta de bens naturais, como
silêncio, ar puro, belas paisagens, ou contato com animais.
Sondagens de opinião vêm revelando de forma sistemática que quase todo novaiorquino
adoraria viver em algum lugar da Califórnia ou da Flórida, e que quase
todo parisiense gostaria de mudar para Toulouse ou Grenoble. Muito mais do que
climáticas, essas são preferências por um estilo de vida que permite que se
usufruam simultaneamente as vantagens decorrentes da infra-estrutura urbana e as
inúmeras combinações possíveis entre amenidades urbanas e rurais. E não pode ser
mera coincidência o fato de ocorrerem justamente em cidades de pequeno ou médio
porte de regiões relativamente rurais esses focos de eficiência coletiva e de
inovação que os economistas têm chamado de “clusters industriais”, “distritos
industriais”, “sistemas produtivos locais”, ou simplesmente “arranjos produtivos”.
Também é difícil que seja mera coincidência o fato dos agricultores serem mais
prósperos nas redondezas desse tipo de núcleo urbano que lhes oferece
oportunidades de tocar simultaneamente outros negócios, além de outros empregos
para seus familiares. É verdade que nos espaços rurais dificilmente ocorrem os
processos flexíveis de inovação e de improvisação que dependem da concentração,
da contigüidade e da diversidade que caracterizam as economias urbanas. Mas toda
região rural tem um ou mais centros urbanos que exercem as funções de pólos
gravitacionais. Daí a importância de entender que as economias locais resultam de
relações sinérgicas entre atividades urbanas e rurais.
Não foi esse tipo de abordagem territorial que dominou a ciência econômica no
século passado. Infelizmente, mesmo a pesquisa em economia regional, que não
deveria discriminar categorias espaciais ou setores econômicos, foi vítima de uma
completa distorção urbano-industrial. Mas um estimulante sinal de que se aproxima
a ruptura com esse modelo pode ser encontrado na revisão proposta por Jane
Jacobs, a autora do clássico Morte e vida das grandes cidades. Em seu mais recente
livro - A natureza das economias (São Paulo: Beca, 2001) – ela faz uma fascinante
comparação entre as histórias de Detroit e de São Francisco com o objetivo de
explicar aos jovens economistas que a virtude está na diversificação das economias
locais. Não na especialização induzida pelas economias de escala.
[Em países ricos a maioria vive em local relativamente ou essencialmente rural]
A tragédia de 11 de setembro não comprometerá a posição de Nova York como
capital econômica dos EUA. A prova é que nenhuma das grandes cidades do Japão
arrasadas pelos bombardeios americanos do final da 2a. Guerra Mundial deixou de
recuperar seu lugar anterior na hierarquia urbana do país. Um fenômeno
extremamente robusto, que foi explicado com o habitual didatismo por Paul
Krugman, em artigo publicado anteontem neste espaço. As economias das grandes
cidades são sustentadas por um processo de auto-reabastecimento que parece “uma
espécie de círculo virtuoso”: as pessoas e as empresas nelas se fixam por causa das
oportunidades criadas pela presença de outras pessoas e empresas (“Nova York
ferida”, Estado 4/10).
Bem mais difícil é entender o outro lado da moeda. Se esse círculo virtuoso dá tanta
força à economia da grande cidade, como explicar que as economias mais
desenvolvidas do planeta não sejam inteiramente organizadas por esse tipo de
aglomeração urbana ? Por que certas regiões que não possuem grandes cidades
chegam a se mostrar até mais dinâmicas ? Por que razão um número tão
significativo de pessoas e empresas dos países do Primeiro Mundo estão em regiões
classificadas pela OCDE como relativamente ou essencialmente rurais, como
mostra a tabela ? Por que não foram tragadas pelo fortíssimo processo de autoreabastecimento
das grandes cidades?
Qualquer tentativa de responder a estas perguntas rapidamente sugerirá que o
argumento de Krugman é simples sofisma. Pois a permanência de muitas pessoas e
empresas fora das grandes cidades também se deve a oportunidades criadas pela
presença de outras pessoas e empresas. A diferença está na natureza dessas
oportunidades e em suas respectivas vantagens comparativas. A cidade, seja qual
for a sua dimensão, oferece equipamentos e serviços que facilitam muito, tanto a
vida cotidiana das pessoas, quanto o funcionamento das empresas. Do transporte às
telecomunicações, passando por serviços públicos essenciais como saneamento,
energia, educação, ou coleta de lixo, é óbvia a superioridade da infra-estrutura
urbana sobre a rural. Além disso, as amenidades urbanas, que se manifestam
principalmente na oferta concentrada de bens culturais e esportivos, também atraem
mais gente que as amenidades rurais, mais ligadas à oferta de bens naturais, como
silêncio, ar puro, belas paisagens, ou contato com animais.
Sondagens de opinião vêm revelando de forma sistemática que quase todo novaiorquino
adoraria viver em algum lugar da Califórnia ou da Flórida, e que quase
todo parisiense gostaria de mudar para Toulouse ou Grenoble. Muito mais do que
climáticas, essas são preferências por um estilo de vida que permite que se
usufruam simultaneamente as vantagens decorrentes da infra-estrutura urbana e as
inúmeras combinações possíveis entre amenidades urbanas e rurais. E não pode ser
mera coincidência o fato de ocorrerem justamente em cidades de pequeno ou médio
porte de regiões relativamente rurais esses focos de eficiência coletiva e de
inovação que os economistas têm chamado de “clusters industriais”, “distritos
industriais”, “sistemas produtivos locais”, ou simplesmente “arranjos produtivos”.
Também é difícil que seja mera coincidência o fato dos agricultores serem mais
prósperos nas redondezas desse tipo de núcleo urbano que lhes oferece
oportunidades de tocar simultaneamente outros negócios, além de outros empregos
para seus familiares. É verdade que nos espaços rurais dificilmente ocorrem os
processos flexíveis de inovação e de improvisação que dependem da concentração,
da contigüidade e da diversidade que caracterizam as economias urbanas. Mas toda
região rural tem um ou mais centros urbanos que exercem as funções de pólos
gravitacionais. Daí a importância de entender que as economias locais resultam de
relações sinérgicas entre atividades urbanas e rurais.
Não foi esse tipo de abordagem territorial que dominou a ciência econômica no
século passado. Infelizmente, mesmo a pesquisa em economia regional, que não
deveria discriminar categorias espaciais ou setores econômicos, foi vítima de uma
completa distorção urbano-industrial. Mas um estimulante sinal de que se aproxima
a ruptura com esse modelo pode ser encontrado na revisão proposta por Jane
Jacobs, a autora do clássico Morte e vida das grandes cidades. Em seu mais recente
livro - A natureza das economias (São Paulo: Beca, 2001) – ela faz uma fascinante
comparação entre as histórias de Detroit e de São Francisco com o objetivo de
explicar aos jovens economistas que a virtude está na diversificação das economias
locais. Não na especialização induzida pelas economias de escala.
Fonte: José Eli da Veiga é professor titular da FEA-USP e secretário do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (CNDRS).
www.fea.usp.br/professores/zeeli/
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